Está à procura de um presente para uma menina que rejeita tudo o que brilha em rosa? De facto, a Inês, de 6 anos, guarda as bonecas no fundo do armário e passa os domingos a cavar o jardim em busca de fósseis. No entanto, a madrinha andou muito tempo às voltas na secção dos brinquedos, convencida de que teria de escolher entre uma tiara e um estojo de purpurinas. A verdade é que uma menina que gosta de dinossauros, foguetões ou bola merece simplesmente um presente que corresponda a quem ela é.
Não é preciso procurar um presente complicado. Bastam algumas ideias concretas, escolhidas pelas suas verdadeiras paixões e não pelo seu género.
Porque é que um presente para uma menina não tem de ser rosa
A secção das meninas está repleta de rosa, a dos meninos de azul e carros de corrida. Contudo, esta divisão não é de todo inevitável. Aliás, um relatório do Alto Conselho para a Igualdade entre Mulheres e Homens mostra como os brinquedos muito marcados pelo género aprisionam as crianças em gostos pré-estabelecidos. Por exemplo, uma menina que sonha com obras de construção às vezes ouve dizer que se enganou na secção.
No entanto, as suas paixões valem tanto como quaisquer outras. A Zoé, de 7 anos, sabe o nome de todos os planetas e corrige os adultos sobre a ordem dos anéis de Saturno. Dar-lhe um foguetão em vez de uma pulseira não é privá-la de nada. É dizer-lhe que foi ela que se viu, e não a etiqueta colada na embalagem.

Ideias de presentes que acompanham as suas paixões
O truque certo é partir daquilo que a faz vibrar, e não daquilo que supostamente deveria agradar-lhe. Aqui ficam seis ideias que funcionam, observadas em meninas bem reais, para adaptar à idade e ao orçamento.
- A caixa de figuras de dinossauros. Um tubo de tiranossauros e tricerátops para alinhar, guardar e fazer rugir. A Sofia, de 4 anos, inventa batalhas com eles durante horas. A evitar se ela já tiver toda uma coleção: nesse caso, opte por um vulcão que faz fumo ou um kit de escavação.
- O kit de astronomia. Um mapa do céu que brilha no escuro, um pequeno telescópio, autocolantes de constelações para o teto. Perfeito para uma exploradora do espaço a partir dos 6 anos; menos indicado antes disso, quando as estrelas ainda são um conceito abstrato.
- A verdadeira bola de futebol e uma camisola com o seu nome. Não o gadget rosa, mas a bola que salta bem no asfalto. A Léa, de 8 anos, dorme com a sua desde que começou a jogar às quartas-feiras. Junte umas meias altas e ela vai sentir-se parte da equipa.
- O jogo de construção técnica. Blocos, engrenagens, circuitos de bolinhas para montar sozinha. Estes jogos desenvolvem a lógica e a paciência, e duram anos. A reservar para os 5 anos ou mais, já que as peças pequenas não são adequadas para os mais pequenos.
- O kit de experiências ou de jardinagem. Fazer crescer sementes, criar um vulcão que faz espuma, observar um formigueiro. Ideal para as curiosas que querem entender como funciona o mundo. É preferível um kit completo a um conjunto ao qual falta sempre algum ingrediente.
- O equipamento de aventura ao ar livre. Uma bússola, uma lupa, um cantil resistente, um caderno de explorador. Tudo o que é preciso para transformar um passeio na floresta numa expedição. A Yaël, de 5 anos, não sai mais sem a sua lupa desde o Natal.
O livro onde ela vive a sua própria aventura
Além do objeto, há uma ideia que toca de outra forma: uma história onde ela é a protagonista. Não uma princesa num castelo, mas uma exploradora, uma jogadora de futebol ou uma caçadora de dinossauros, com o seu rosto e o seu nome. A criança que se reconhece numa história não a esquece. Vê-se capaz, corajosa, ao comando da sua própria aventura.
É aqui que pode criar a história onde ela se torna a heroína da sua paixão, dinossauros, espaço ou bola incluídos. A Real Big Stories tece então um livro feito à sua medida, longe dos clichés da secção de brinquedos. Um presente que dura, que ela vai reler muito depois de ter guardado os brinquedos.

O que é melhor evitar
Há algumas falsas boas ideias que aparecem com frequência. O disfarce de princesa oferecido por resignação, quando ela queria um fato de bombeira. O kit de maquilhagem rosa que acaba debaixo da cama. A joia demasiado frágil que ela nunca se atreverá a usar quando trepa às árvores.
Atenção, também não é preciso banir o rosa. Aliás, se ela gosta de um toque de rosa na bola ou nas sapatilhas, ainda melhor: o objetivo não é inverter os clichés, mas sim ouvi-la. Por isso, pergunte-lhe a ela, ou pergunte aos pais, o que a ocupa neste momento. A resposta vale mais do que qualquer guia.
Como escolher o presente certo para uma menina segundo a idade
As paixões evoluem rapidamente. Aos 3-4 anos, privilegie o sólido e o manipulável: figuras grandes, blocos espessos, bola leve. A menina explora primeiro com as mãos, depois com a cabeça.
A partir dos 6 anos, ela quer compreender e criar. Entram em jogo os kits de experiências, a astronomia, as construções técnicas. É também a idade em que uma história em que ela é a heroína ganha todo o sentido, porque já lê, se projeta e guarda o livro durante anos. Um presente para uma menina desta idade fica ainda melhor se combinar o objeto que ela pede com a história que a coloca em destaque.
No fundo, a secção não importa. O que conta é que, ao abrir o presente, ela sinta que foi verdadeiramente vista.
