Ponha um livro de fotografias personalizado à frente de um bebé de oito meses. Aliás, observe os olhos dele. Detêm-se de imediato num rosto familiar, o da mãe, do pai, ou da pessoa que o embala à noite. A mãozinha avança e, por exemplo, os dedos tocam a página. Algo se ilumina. Esta cena repete-se com muitos bebés, e não tem nada de acaso.
Um bebé está sintonizado com os rostos muito antes de andar ou de falar. E perto do final do primeiro ano de vida, e nos meses seguintes, começa também a reconhecer-se a si próprio. É por isso que estas páginas o cativam tanto.
O bebé está programado para os rostos
Desde as primeiras semanas, um bebé prefere olhar para um rosto do que para qualquer outra forma. Dois olhos, um nariz, uma boca: este padrão atrai-o por instinto. Além disso, fixa por mais tempo os traços dos pais, os que vê durante a amamentação, o banho e os miminhos. O rosto torna-se assim o seu primeiro ponto de referência num mundo ainda desfocado.
Depois vem o reconhecimento. Por volta dos quatro ou seis meses, muitos bebés já distinguem claramente as pessoas próximas dos estranhos. O site Naître et Grandir, sobre o desenvolvimento do bebé, recorda como esta atenção aos rostos familiares se estabelece precocemente. Um rosto amado, numa página, fala assim ao seu bebé numa linguagem que ele já domina.

Ver o seu próprio rosto: por que razão um livro de fotografias personalizado o cativa
Imagine a Sofia, com dez meses. Na página, está a sua própria carinha, a da irmã mais velha, e a do pai. Ela ainda não lê uma história, claro. No entanto, reconhece o seu mundo. Vê estes rostos todos os dias. É por isso que encontrá-los num objeto que tem nas mãos cria uma surpresa carinhosa, quase um jogo de esconde-esconde.
É aí que está toda a força de um livro de fotografias personalizado. De facto, não exige que o bebé compreenda palavras complicadas. Oferece-lhe aquilo que ele já sabe identificar: caras conhecidas, sorrisos familiares. Na prática, o pequeno aponta com o dedo, palra, bate na página, pede para virar. Assim, a sua atenção dura mais tempo do que perante um livro onde tudo lhe é estranho.
Além disso, o nome próprio desempenha o seu papel. Um bebé reage muito cedo à melodia do seu nome, esse som que lhe murmuram cem vezes por dia. Ouvi-lo enquanto folheiam as páginas juntos acrescenta mais um fio a esse momento partilhado.
Reconhecer-se a si próprio: o famoso teste do espelho
Reconhecer os outros é uma coisa. Além disso, reconhecer-se a si próprio é outra, mais tardia e mais fascinante. Os investigadores estudam-na há muito tempo através do teste do espelho, por vezes chamado teste da mancha.
O princípio é simples. Coloca-se discretamente uma pequena marca colorida na testa ou no nariz da criança, e depois coloca-se a criança diante de um espelho. Antes de certa idade, o pequenino trata o seu reflexo como outro bebé: sorri-lhe, bate no vidro. Mais tarde, leva a mão ao próprio rosto para tocar na marca, mostrando assim que, nesse momento, compreendeu uma ideia vertiginosa: este reflexo sou eu.
A psicóloga Beulah Amsterdam estabeleceu as bases desta experiência junto de crianças pequenas no início dos anos 1970. Em França, o psicólogo René Zazzo observou longamente esta descoberta do espelho na criança. De facto, os trabalhos convergem para um marco prudente: a autoconsciência surge muitas vezes entre os dezoito e os vinte e quatro meses, com grandes diferenças de uma criança para outra.
Reconhecer os rostos amados e depois reconhecer-se a si próprio: duas etapas suaves que um livro pode acompanhar sem nunca as forçar.
Quando a criança compreende que é ela na página
Esta etapa do espelho ajuda também a entender o que se passa com as imagens. No início, o bebé gosta dos rostos conhecidos sem necessariamente perceber que um deles é o seu. Depois, pouco a pouco, o momento de clique chega. Aponta para si numa fotografia. Diz o seu nome perante o seu reflexo. Ri-se ao encontrar-se numa página.
Nesse momento, um livro onde a criança aparece ganha outro sabor. Já não olha apenas para caras familiares: vê-se a si própria, heroína das suas próprias páginas. Assim, este pequeno orgulho alimenta suavemente a ideia de que existe, de que conta, de que tem o seu lugar. Nada de espetacular, apenas uma semente plantada ao longo das leituras.
Claro que cada criança avança ao seu próprio ritmo. Algumas reconhecem-se cedo, enquanto outras demoram mais tempo, e isso é perfeitamente normal. Não vale a pena testar ou apressar nada. De facto, o prazer de estarem juntos a folhear as páginas conta muito mais do que a data do tal clique.

Transformar este momento num ritual carinhoso
Antes da sesta, depois do banho, ao colo no sofá. Nomeia os rostos, imita as vozes. Deixa o bebé virar as páginas à sua maneira, por vezes ao contrário. São estes gestos repetidos que ficam marcados, muito mais do que o objeto em si.
Ao longo dos meses, a leitura cresce com a criança. Primeiro, aponta para os rostos. Depois, nomeia-os. Mais tarde, pede que se conte mesmo a história, vezes sem conta. Na Real Big Stories, gostamos desta ideia de um livro que acompanha estas primeiras descobertas, sem nunca precipitar nada.
Se quiser tentar a aventura, pode oferecer ao seu bebé o primeiro livro onde ele se reconhece. Um rosto amado, um nome murmurado, páginas viradas os dois juntos: é muitas vezes aí que nascem as memórias mais simples e mais duradouras.
Da próxima vez que o seu bebé fixar uma página e estender a mão, observe-o com atenção. Está a dizer-lhe, à sua maneira, que reconheceu alguém. E talvez, um dia, que esse alguém seja ele próprio.
