Dois livros podem ter a etiqueta de livro personalizável e não ter quase nada em comum. No primeiro, o nome da sua filha substitui o da heroína, e o resto do texto não muda uma vírgula. No segundo, o rosto dela, o seu quarto e o seu peluche entram mesmo na história. No entanto, a palavra é a mesma, e a prenda não tem nada a ver.
Eis os três níveis que existem hoje em dia, o que mudam na leitura, e qual deles resiste melhor ao tempo.
Personalizável ou personalizado: a nuance que importa
As duas palavras circulam, muitas vezes ao acaso. Personalizável descreve o que o livro permite antes de ser fabricado: um nome, uma fotografia, por vezes uma dedicatória. Já personalizado descreve o resultado, uma vez o livro nas suas mãos. Na prática, procura o primeiro e recebe o segundo.
No entanto, a verdadeira questão está noutro lado. Trata-se de saber o que a personalização abrange: apenas a capa, ou a história inteira. E é precisamente daí que vem a diferença de preço, e sobretudo a diferença de efeito na criança.
Os três níveis de personalização
Eis as três categorias que encontramos em livrarias e online, resumidas antes do detalhe.
| Nível | O que muda | Orçamento habitual | O que a criança repara |
|---|---|---|---|
| Apenas o nome | O nome, por vezes a dedicatória | de 15 a 25 euros | O seu nome, uma vez. Depois, mais nada. |
| Nome e rosto | O herói parece-se com a criança em cada página | de 30 a 45 euros | A criança reconhece-se. E pede para repetir. |
| História à medida | A história, os entes queridos, o cenário | de 40 a 70 euros | A criança reencontra a sua vida no livro. |
Nível 1: o nome inserido num texto fixo
Este processo existe desde os anos 1980. Na prática, uma história é escrita de uma vez por todas, e um campo com o nome é inserido no momento da impressão. O Lucas torna-se o menino que atravessa a floresta, exatamente como os mil leitores antes dele.
Por isso, o efeito dura uma leitura, por vezes duas. A criança reconhece o seu nome, sorri, e depois ouve uma história que não fala dela. Para uma prenda de convidado de aniversário, isso é mais do que suficiente.
Nível 2: o nome e o rosto
Aqui, o herói tem os traços da sua criança: o cabelo, a pele, os óculos, se os usar. A Sofia abre o livro e vê uma menina de cabelo encaracolado preto a escalar um vulcão. Demora um segundo a perceber, e depois chama o pai.
Aliás, é exatamente esse momento que a maioria dos pais procura. É certo que a história continua pré-escrita, mas a identificação funciona, e o livro volta a sair da estante durante meses.
Nível 3: a história escrita à volta da criança
No terceiro nível, já não é a personagem que se adapta, é a história. O irmão mais velho aparece, o gato é chamado pelo seu nome verdadeiro, a aventura começa no quarto que a criança reconhece. O Yaël, de oito anos, releu o seu onze vezes, segundo a mãe.
Em contrapartida, este nível exige mais informação à partida: algumas fotografias, dois ou três pormenores da vida familiar. Conte com um quarto de hora em frente ao ecrã, e não dois minutos.

O que um livro personalizável nunca vai fazer
Nenhum destes três níveis substitui o momento da leitura. De facto, uma criança a quem ninguém lê o livro vai esquecê-lo tão depressa como qualquer outro. A personalização capta a atenção, mas não a mantém sozinha.
Além disso, a semelhança tem os seus limites. Um desenho nunca reproduz um rosto de forma idêntica, e uma criança de três anos pode discutir a cor do seu cabelo durante dez minutos. É melhor saber isso antes de encomendar.
Como escolher consoante a idade
Antes dos dois anos, o nome pronunciado em voz alta conta mais do que a ilustração. Por isso, um livro de imagens em cartão com o nome na capa já cumpre bem essa função, e ainda resiste aos dentes.
Entre os três e os seis anos, a identificação visual atinge o seu efeito máximo: é a idade em que ver o próprio rosto num livro faz realmente diferença. A psicóloga Isabelle Filliozat recorda o quanto esta fase molda a imagem que a criança tem de si própria. Depois dos oito anos, a história volta a sobrepor-se à imagem, e o nível 3 torna-se o único que realmente faz sentido.
A nossa opinião, numa frase por nível
O nível 1 justifica-se para um orçamento reduzido ou uma prenda de grupo. O nível 2 é a melhor relação emoção-preço entre os três e os sete anos. Quanto ao nível 3, esse fica reservado para ocasiões marcantes: nascimento, batizado, uma despedida, o fim de uma etapa importante.
Se está a visar este último nível, podecriar a história em que o seu filho é o heróia partir das suas fotografias. Para enquadrar o efeito da leitura partilhada nesta idade,Naître et Grandir acompanha o desenvolvimento da linguagem entre os 3 e os 5 anos.
Um último ponto de referência: pergunte a si mesmo o que restará do livro daqui a cinco anos. A esta pergunta, o nome próprio sozinho não responde grande coisa.
