A rata que troca os dentes entra em cena por volta dos seis anos, na noite em que o primeiro dente de leite acaba num lenço de papel. Os pais descobrem então que não previram nada: nem moeda, nem esconderijo, nem resposta para a pergunta que chega sempre dois anos depois. Aqui fica o essencial para enfrentar as três fases.
Uma palavra primeiro sobre o calendário. O primeiro dente costuma abanar entre os cinco e os sete anos, por vezes mais cedo, por vezes bem mais tarde, e essa diferença não é motivo de preocupação.
Porque é que este dente conta mais do que parece
Perder um dente é a primeira transformação que a criança vive de forma consciente. O corpo muda sozinho, sem que ela tenha pedido nada, e isso deixa um buraco visível no espelho. Umas adoram, outras choram.
Além disso, este episódio acontece precisamente na altura da entrada no 1º ano. A criança sai do pré-escolar, aprende a ler e perde os dentes de leite no mesmo ano. Por isso, o dente torna-se o símbolo mais concreto da passagem para o grupo dos «crescidos», e as crianças percebem isso muito bem sozinhas.
É por isso que o ritual merece mais do que uma moeda deslizada à meia-noite. Dá forma a algo que a criança sente de forma confusa.
O ritual da rata dos dentes, versão simples
O princípio resume-se a três gestos. A criança coloca o dente algures, alguém o troca durante a noite, a criança descobre ao acordar.

Na prática, evite colocar o dente debaixo da almofada se o seu filho tiver o sono leve. Uma pequena caixa na mesa de cabeceira, um copo no parapeito da janela ou um saquinho pendurado na maçaneta funcionam melhor, e a mão do pai ou da mãe treme menos.
Quanto à contrapartida, defina o valor logo no primeiro dente e mantenha-o para os vinte seguintes. De facto, uma criança compara sempre: com a irmã, com o primo, com o colega da turma. Aliás, muitas famílias substituem a moeda por um livro, um cartão escrito ou uma pequena coisa para colecionar, o que resolve o problema da competição no recreio.
Acrescente um pormenor que assinale a passagem: uma nota minúscula escrita em letras pequenas, uma pegada feita com farinha, alguns brilhantes no parapeito. São esses pormenores que a criança conta na escola, não o valor.
O que responder quando ele pergunta se ela existe
A pergunta surge geralmente por volta dos sete ou oito anos, muitas vezes depois de um colega mais velho. O tom da criança diz-lhe o que ela quer ouvir: a verdadeira pergunta é «será que fui parvo por acreditar nisto?».
Devolva-lhe então a pergunta antes de responder. «E tu, o que é que achas?» deixa perceber se ela procura confirmação ou se ainda quer acreditar na história. Algumas crianças já sabem há seis meses e continuam porque gostam do ritual.
Quando ela já percebeu, não desminta com meias-palavras. Diga a verdade e conte o resto: quem se levantava de noite, quem quase se esqueceu duas vezes, quem guardava os dentes numa caixa no fundo de uma gaveta. Assim, a criança não perde uma crença, ganha um lugar no segredo. Muitas vezes, pede logo a seguir para fazer esse papel com o irmão mais novo.
Uma coisa a evitar: censurá-la por ter contado o segredo a um mais novo. Ela ainda não tem noção do que isso pode estragar no outro, e é melhor explicar-lhe isso com calma, antes que aconteça.
O que fazer com os dentes de leite guardados
Muitos pais guardam os dentes de leite sem saber muito bem porquê, num envelope ou numa caixa de fósforos. Nada obriga a guardá-los, mas também nada o proíbe.
Se os guardar, anote a data atrás de cada um: daqui a quinze anos, é a data que terá valor, não o dente. As caixinhas para dentes vendidas nas lojas servem bem, e um porta-comprimidos de farmácia também.
Se preferir não guardar nada, uma fotografia do sorriso desdentado na manhã seguinte substitui muito bem a coleção. Aliás, essa fotografia acaba quase sempre nos álbuns de família, enquanto a caixa fica esquecida no fundo de uma gaveta.
Quando o dente cai de forma inesperada
Alguns dentes caem numa queda, com uma bolada, ou durante uma refeição. A criança sangra, assusta-se, e o ritual passa para segundo plano. No entanto, é aconselhável consultar o dentista quando o dente está partido em vez de ter caído naturalmente, quando a gengiva continua dorida, ou quando um dente definitivo começa a nascer atrás de um que ainda não caiu.
Da mesma forma, um dente que ainda não abana depois dos sete anos merece uma consulta de controlo, sem urgência. Para mais informações sobre esta idade, o site Naître et Grandir documenta o desenvolvimento dos 5-8 anos.
Prolongar o momento com uma história
A noite do primeiro dente conta-se bem. A criança tem o papel principal, perdeu algo e ganhou outra coisa, e adora ouvir o episódio outra vez.
Algumas famílias transformam isso num livro em que o seu filho é a personagem principal dessa noite. Se quiser oferecer-lhe a sua própria história, pode criar a história do seu primeiro dente.
Ele vai esquecer o valor da moeda. Vai lembrar-se da marca de farinha no parapeito da janela.
