Acabou de se tornar madrinha, ou padrinho, e a mesma pergunta volta sempre antes de cada ocasião: quanto gastar num presente de afilhado? Trinta euros é pouco? Cem é demasiado? No entanto, olha para o que os outros oferecem, compara, e a ansiedade aumenta. Respire fundo. Esse valor não diz nada sobre o seu verdadeiro papel na vida dessa criança.
A Marina escreveu-nos isto o outro dia. A sua afilhada de dois anos ia fazer o primeiro batizado, e ela tinha medo de fazer mal. A verdade é que ninguém nos ensina este papel. Por isso, aqui ficam algumas referências concretas, para escolher sem culpa.
O orçamento para um presente de afilhado não mede o amor
Comecemos por tirar um peso dos ombros. Uma criança de três anos não lê o preço na etiqueta. No entanto, guarda na memória quem se sentou no chão para brincar com ela. Além disso, lembra-se da madrinha que conta sempre a mesma história a fazer vozes diferentes. É isso que fica na memória, nunca o valor gasto.
Um presente não se avalia apenas pelo seu custo, mas pela intenção e pela memória que deixa. Seja madrinha ou padrinho, o importante é a relação que mantém com o seu afilhado através destes gestos simbólicos.
Faça, então, a verdadeira pergunta antes de definir um orçamento para um presente de afilhado: o que quero deixar? Uma marca, um ritual, um objeto que ele vai guardar. Um caderno rabiscado juntos vale, por vezes, mais do que um brinquedo caro esquecido em três dias. O gesto pensado ganha sempre ao gesto caro.
Quando se é padrinho ou madrinha, referências por orçamento
Ainda assim, quer ter uma ideia de valores. É normal, isso tranquiliza. Eis como muitas madrinhas e padrinhos se organizam, sem regras gravadas em pedra. Por isso, adapte à sua situação, nunca à pressão do vizinho.
- Orçamento pequeno (cerca de 15 a 25 euros): um bom livro, um caderno de desenho partilhado, uma planta que se vê crescer juntos. O que conta é o tempo que vai dedicar depois.
- Orçamento médio (cerca de 30 a 60 euros): um objeto duradouro, gravado ou personalizado, com o nome da criança. A margem onde se acerta sem apertar o cinto.
- Orçamento mais elevado (acima disso): reservado para grandes ocasiões, e só se puder. Um padrinho que oferece pouco continua a ser um padrinho presente.
Nenhuma destas linhas é uma obrigação. Se o mês estiver apertado, fique na parte mais baixa da escala sem qualquer vergonha. Quando se é padrinho ou madrinha, oferece-se ao longo do tempo. De facto, não é tudo de uma vez só.

Um presente de batizado: o significado antes da despesa
O batizado intimida porque tem um ar solene. Muitos pensam que um presente de batizado tem obrigatoriamente de brilhar. No entanto, é a ocasião ideal para um objeto que atravessa os anos: algo que se volta a mostrar aos dez anos, aos vinte anos.
Um livro em que a criança se torna a protagonista encaixa perfeitamente nesta ideia. De facto, cresce com ela. Aos dois anos, viram-se as páginas juntos. Mais tarde, ela relê-o sozinha e reconhece o seu rosto. Este é o tipo de presente que ultrapassa o seu preço de compra, porque se enche de memórias ao longo do tempo.
Aniversário ou Natal: ajustar sem exagerar
Para um aniversário ou Natal, a armadilha é diferente. Aí, os presentes chovem. Além disso, o seu presente corre o risco de se perder no meio da pilha de embrulhos. Não vale a pena querer ganhar a corrida ao maior presente.
Aposte antes no que só você pode oferecer. Por exemplo, se o Thiago adora dinossauros, uma história em que ele enfrenta um tiranossauro vai marcá-lo mais do que um décimo brinquedo. A Sofia sonha com estrelas? Leve-a numa aventura feita à medida dela. Aniversário ou Natal, é o momento de acertar no gesto certo, não na fatura mais alta.
Como oferecer um presente de afilhado que fica
No fundo, a questão do valor esconde outro medo: o de contar para essa criança. Ora isso, nenhum talão de compra o compra. Uma palavra deixada dentro do embrulho, uma dedicatória escrita à mão, um encontro regular valem mais do que dez euros a mais na conta.
Se procura o objeto que resume tudo isto, pode criar para o seu afilhado um livro em que ele se torna o herói. O nome dele, o rosto dele, o universo dele, tudo isso numa história feita à sua medida. Assim, um presente que diz "eu vi-te, a ti", seja qual for o orçamento que decida investir.
Para situar o seu papel além do presente, o serviço público francês recorda o que realmente significam o padrinho e a madrinha perante a lei. Uma forma de, mais uma vez, colocar o valor gasto em perspetiva.
Então, quanto gastar? O que puder, sem se apertar. O resto, o seu afilhado vai lembrar-se muito depois de ter esquecido o preço.
